Abordagens Metodológicas do Ensino do Futebol

Apesar dos praticantes de futebol aderirem ao jogo de uma forma prazeirosa e que dificilmente se torna aborrecida, a maneira como a modalidade, por vezes, é ensinada, nem sempre corresponde a essa realidade (Garganta, 2006).
Em relação às diferentes abordagens metodológicas ao ensino do jogo de futebol, podemos destacar duas. São estas a abordagem centrada na técnica, ou seja, o passe, a finta, a coordenação motora etc., e uma abordagem centrada no jogo (formal ou condicionado). Ambas apresentam vantagens e desvantagens daí ser útil haver uma complementaridade de ambas.
Em relação à abordagem mais centrada na técnica, destaca-se por ser um método de treino individual no qual se treinam capacidades como saltar, agarrar, correr e pontapear. Em termos de técnica tem as suas vantagens, pois permite ao praticante desenvolver os padrões motores corretos que serão necessários em jogo, e que em situações de jogo formal ou reduzido, devido a este não ser individual, não há tantas oportunidades para se desenvolver. Contudo, este modelo de ensino-aprendizagem não é tão representativo do jogo com a segunda abordagem de ensino que é centrada no jogo em si e, por vezes, o ensino do jogo com recurso exclusivo a esta abordagem pode acabar por incitar uma aprendizagem descontextualizada (Duarte, R., Pereira, F., Silva, E., Maçãs, V. & Sampaio, A., 2006).
A abordagem mais centrada no jogo deve conter os elementos estruturais essenciais e idênticos, ou seja, finalização/contrariar a finalização; criação de oportunidades de finalização/impedir criação de oportunidades e construção do ataque/dificultar a construção do ataque. Deve ter sempre presente as relações de cooperação e de oposição, uma dinâmica natural nas trocas entre ataque defesa e, por fim, não condicionar os alunos a situações de resposta fechada (como é feito na abordagem mais técnica). Para tal, torna-se necessário apelar a exercícios que solicitem, não só as capacidades de execução, como também, e principalmente, as capacidades de decisão (Duarte, R., Pereira, F., Silva, E., Maçãs, V. & Sampaio, A., 2006).
Este tipo de metodologia vai fazer com que os praticantes experienciem as vivências que terão num jogo real e também permite que, através de muito feedback em fases iniciais, os jogadores comecem a racionalizar melhor o espaço e entendam melhor as tarefas associadas a cada momento do jogo. Pelo contrário, a abordagem técnica apenas trabalha as capacidades físicas e as capacidades individuais.

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